Luís Vaz de Camões - Soneto 07 - O Fogo que na Branda Cera Ardia





Luís Vaz de Camões - Soneto 07 - O Fogo que na Branda Cera Ardia


O fogo que na branda cera ardia,

Vendo o rosto gentil, que eu na alma vejo,

Se acendeu de outro fogo do desejo

Por alcançar a luz que vence o dia.


Como de dois ardores se encendia,

Da grande impaciência fez despejo,

E remetendo com furor sobejo,

Vos foi beijar na parte onde se via.


Ditosa aquela flama que se atreve

A apagar seus ardores e tormentos

Na vista a quem o sol temores deve!


Namoram-se, Senhora, os Elementos

De vós, e queima o fogo aquela neve

Que queima corações e pensamentos.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 07 - O Fogo que na Branda Cera Ardia

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