João da Cruz e Sousa - Broquéis - 41 - Rebelado





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 41 - Rebelado


Ri tua face um riso acerbo e doente,

Que fere, ao mesmo tempo que contrista...

Riso de ateu e riso de budista

Gelado no Nirvana impenitente.


Flor de sangue, talvez, e flor dolente

De uma paixão espiritual de artista,

Flor de Pecado sentimentalista

Sangrando em riso desdenhosamente.


Da alma sombria de tranqüilo asceta

Bebeste, entanto, a morbidez secreta

Que a febre das insânias adormece.


Mas no teu lábio convulsivo e mudo

Mesmo até riem, com desdéns de tudo,

As sílabas simbólicas da Prece!



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 41 - Rebelado

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