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Poema

Rebelado - Cruz e Sousa

Ri tua face um riso acerbo e doente, 
Que fere, ao mesmo tempo que contrista... 
Riso de ateu e riso de budista 
Gelado no Nirvana impenitente. 


Rebelado - Cruz e Sousa - Poema

Ri tua face um riso acerbo e doente, 
Que fere, ao mesmo tempo que contrista... 
Riso de ateu e riso de budista 
Gelado no Nirvana impenitente. 

Flor de sangue, talvez, e flor dolente 
De uma paixão espiritual de artista, 
Flor de Pecado sentimentalista 
Sangrando em riso desdenhosamente. 

Da alma sombria de tranquilo asceta 
Bebeste, entanto, a morbidez secreta 
Que a febre das insânias adormece. 

Mas no teu lábio convulsivo e mudo 
Mesmo até riem, com desdéns de tudo, 
As sílabas simbólicas da Prece! 



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