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Poema

Vos Que, Dolhos Suaves e Serenos - Luís Vaz de Camões

Vós, que de olhos suaves e serenos, 
Com justa causa a vida captivais, 
E que os outros cuidados condemnais 
Por indevidos, baixos e pequenos; 


Vos Que, Dolhos Suaves e Serenos - Luís Vaz de Camões - Poema

Vós, que de olhos suaves e serenos, 
Com justa causa a vida captivais, 
E que os outros cuidados condemnais 
Por indevidos, baixos e pequenos; 

Se de Amor os domesticos venenos 
Nunca provastes, quero que sintais 
Que he tanto mais o amor despois que amais, 
Quanto são mais as causas de ser menos. 

E não presuma alguem que algum defeito, 
Quando na cousa amada se apresenta, 
Possa diminuir o amor perfeito: 

Antes o dobra mais; e se atormenta, 
Pouco a pouco desculpa o brando peito; 




Que Amor com seus contrarios se accrescenta. 



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